quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ao Intacto e Vivo


Viver e caminhar num equilíbrio dolorido, mantendo todo pensamento e todo sentimento no arquétipo do meu limite humano, demasiadamente humano e de todos os dias, de todos os sonhos, de toda interioridade, convivendo com a realidade de não saber quanto tempo isso dura, um aperto ou um nó, no coração ou na mente. Assim sou eu, assim somos nós. [a.p]

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sempre



[a.p]

O MAR






"sempre que vejo o mar, lembro-me de que amar é um privilégio ..."

[a.p]

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ao Meu Artista Pintor


Certos dias são cinzentos,
nublados, meio fosco, nebulosos
e as vezes...tão incertos ...

Mas cada dia tem seu tom,
sua cor,  sua glória .. seu dom,
e que não se repetem jamais ...

Ao gosto do Artista que se diverte
com seu talento ELE inverte o tom o tempo inteiro
fazendo tudo ter  muito mais movimento ...

Oh! meu Deus, eu te peço então por favor
mude esse tom  de cor cinzento
que por hora manchou o meu dia ...

Nos acordes desse som  Oh! meu pintor
Que seja  só por um momento  a dor desse dia cinzento
Traga mais cor pra esse lamento
Que a minha’alma quase desbotou ...

Bom é  o dia que fez o  pintor
Que sempre com amor
Tinge sua cor em meio a dor.

[A.P]

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

TU SABES


Tu sempre sabes, não há nada que tu não possas saber, não há espaços em nós pelos quais tu não tenhas estado, não há janelas na alma que tu não tenhas entrado e das quais não possas prescrutar, insondáveis são teus pensamentos sobre nós, não podemos mensurar, contudo nos fizestes grandiosamente humanos, assombrosamente livres, essencialmente frágeis, voláteis a cada passo em direção ao desconhecido, um dia de cada vez, tu sabes. 

[A.P]

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CONSIDERE


Há de se considerar cada brilho que nossos pensamentos liberam debaixo do céu, todos, um a um, eles acendem algo em nós, que nos traz a certeza de que vivemos, muito mais do que existimos.

[A.P]

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

HAJA LUZ

  
Vim, encontrar-me em mim, mas por um instante, não me achei.
[A.P]

sexta-feira, 25 de julho de 2014

sexta-feira, 11 de julho de 2014

EIS O SILÊNCIO


Logo, silencio-me, como  Pessoa.
[A.P]

sábado, 28 de junho de 2014

A MEDIDA EXATA



Que hoje o teu dia seja pleno
Tuas emoções serenas
Teu sentimentos brandos
Tua dor amena
Teu sorriso cure
E tua boca cante

Na busca de dentro
Tu encontres tudo que for bom 
Uma música, um momento, um sentimento
Guarde consigo o que for intocável
Que seja amável e admirável, mas teu
Somente teu esse momento

Que te saias dos lábios uma oração
Mas que ela nasça no coração
Mesmo que de angustia 
ou gratidão ( não importa )
Que o amor vivido seja na medida exata
E que os dias passem lentos ou vagarosos
Pois eles, os dias, nunca serão iguais
Nunca serão os mesmos

[A.P]



A VIDA

[A.P]

terça-feira, 10 de junho de 2014

ALGOZ TEMPO

Que não passa um dia sem deixar sua marca, nos detalhes, nos símbolos, na sonoridade impressa em quase tudo... todos os dias, sim, todos os dias na solidão cultivada pela insanidade, mas faz um favor e passa logo senhor tempo, apressa-te antes que eu surte lentamente, puderas ser ansiedade mas não é, é o algoz tempo com sua maldade, nessa poesia fora de tempo. [A.P]

quinta-feira, 5 de junho de 2014

VENCE-DOR


Olha lá, quem vem do lado oposto
Vem sem gosto de viver
Olha lá, que os bravos são
Escravos sãos e salvos de sofrer

Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Olha você e diz que não
Vive a esconder o coração

Não faz isso, amigo
Já se sabe que você
Só procura abrigo
Mas não deixa ninguém ver
Por que será?

Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor que sou capaz
Só pra viver em paz

(Los Hermanos)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Rubem Alves - Disseste Tudo



Disseste tudo ao dizer:
Quando a ausência de mim
Fizer presença em meu ser,
Visitarei a mim mesmo,
Para não me afastar de você.

Quando o peso do dever
Em mim soterrar a alma
Entre os escombros da vida,
Quero flutuar qual pluma
Na leve brisa da calma.

Quando o dizer tiver o poder
De revelar o que não quero,
Paro a pluma, guardo a voz,
Me rebelo no silêncio
Para me manter sincero.

Antes da noção do certo
Se revelar um engano,
Saio do cotidiano:
Adentro em outras rotinas,
Noutros mares vou pescar.

Não quero porto seguro,
Só âncora, vela e mar.
Âncora para ser meu porto,
Vela para me levar,
Mar para, no litoral,
As minhas ondas quebrar.

(Rubem Alves)

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

DOR



" Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor, embora dor, que seja sentida.."

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O QUE NÃO MATA, FAZ CRESCER !



Na ausência total de uma culpa velada, faz-se nascer a reflexão de tudo quanto mata a vida e des-mata a morte em vida, do fruto da morte-vida se aprende a colher as sementes de uma esperança regada de lágrimas, esperança essa que culmina na fé, no grão, na mostarda. Do pranto das mortes existentes, sejam ela de toda ordem, se faz nascer nova vida, do diagnóstico sombrio e quase insuportável é que se remedia com exatidão a tamanho do caminho que se deve percorrer, após a caverna, pra um horizonte diferente do atual, o que não se pode é absorver a sentença, seja ela qual for, somos maiores, somos imagem e semelhança, posto que o que não nos matou, pelo menos nos fez crescer. Sigamos em vida na VIDA que Ele prometeu ser abundante.

Alex Possati (reflexão)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dias Maus


Maus são os dias de quem, por conta e risco, ousou por não teme-los, maus são os dias e dolorosos são por conta da imensa e profunda dor que é gerada nas entranhas da alma, maus são os dias de puro e real quebrantamento do ser, da identidade mais próxima do nosso "eu", a realidade que te faz chegar mais perto de si, mais perto de Deus. Dias maus chegam e você não pode evitá-los, haverá um tempo certo, um momento exato para ele terminar, mas enquanto isso é tempo de solidão, caverna e dor, pois dias maus trazem consigo reflexão, e algumas coisas só podem ser tratadas em nós nos dias maus, para que sejam aperfeiçoadas, trabalhadas e moldadas com a experiência da dor, que ELE disse, você pode suportar! é queda, é Adão, é transgressão que muda rotas, rumos e histórias. O dia mau chega com toda sua força, com toda sua mazela, com todo seu ímpeto, com todas as consequências. Perdas e danos no dia mau, polimento, conflitos existenciais e busca incensante por respostas. O dia mau chega pra todo mundo, uns antecipam, outros a seu tempo o esperam, nem sempre estaremos preparados para o dia mau, mas descobriremos que não sucumbir é importante, o dia mau vai passar, bem como todo seu lastro de suposta impiedade, mas ele vai passar e virão novos dias, brandos, amenos e suportáveis, dos quais trarão refrigério a alma. Os dias maus são vividos na solidão, na caverna aonde encontro refúgio contra o tempo que não passa, até que se veja o resultado.

Alex Possati (reflexão)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Sábado... Aleluia !


Provavelmente à essa hora a desesperança chegava ao seu nível mais alto. A sensação de planos frustrados, de perda de vida, de investimento num projeto fracassado bombardeava a cabeça. De repente a essa hora já se pensava no que fazer amanhã, em quais projetos retomar, como se recolocar na vida e na história, como voltar a viver depois de tudo o que viveram. Sim, são 01:28hs do sábado de Aleluia (sábado que precede o domingo de páscoa).
Se a sexta da paixão foi absurdamente dolorida por todos os mal tratos, calúnias, ofensas e pela própria crucificação, alguns, não sei se muitos ou poucos, aguardavam no sábado uma reviravolta. Esperavam acordar no sábado – se é que haviam conseguido dormir na sexta depois de todo aquele episódio – com Jesus chamando-os triunfante, ressuscitando na presença da multidão; ou relatos de espetáculos sobrenaturais ocorridos assim que o corpo de Jesus chegou ao túmulo emprestado de José de Arimatéia. Aguardavam acordar com notícias espetaculares sobre novidades no caso da morte de Jesus. Mas isso não aconteceu. O sábado despertou cinzento, frio, indiferente, comum apesar de tudo de incomum que acontecera no dia anterior. Mas se a manhã não trouxe boas notícias alguns com um pouco mais de fé tinham certeza que o sábado lhes reservaria boas surpresas.
Tomaram seus cafés da manhã e nada. Almoçaram e o máximo que ouviam era ainda sussurros e comentários acerca da crucificação e da aparente fragilidade de Jesus a todo aquele espetáculo de morte. À tarde o sol se punha e nenhuma novidade lhes alcançava. Talvez a noite fosse o momento certo para a “performance da ressurreição”! Mas não. O sábado havia passado e nada de novo lhes fora apresentado. De novo só a certeza de que nada mais iria acontecer. De surpresa só a inércia da realidade. Talvez a essa hora até os mais esperançosos já comentavam sobre seus novos projetos de vida. Os mais fervorosos, ainda indignados, após um dia de inquietação e andanças desconexas começavam a achar descanso na realidade dura da morte daquele que lhes deu uma vida nunca antes imaginada por eles. Talvez uns conseguiam dormir e os outros já pensavam em aproveitar o domingo pra voltar à suas casas, retomar suas vidas, e seguir em frente, sabe-se lá como após tudo o que haviam vivido.
Talvez…
Quando pensamos que o sábado era o dia de descanso não conseguimos chegar perto de imaginar quão tedioso e doloroso foi passar aquele dia sem a distração do trabalho ou mesmo o entretenimento que temos hoje disponíveis. Foi um dia sofrido, vivido remoendo-se o dia anterior e todas as implicações que ele trazia pra suas vidas. Mas se haviam fagulhas de esperança a essa hora elas já deviam ter morrido e dado lugar a realidade que insistia em arregalar-lhes as pálpebras.
A tradição cristã só enfatiza dois pontos da paixão de Cristo: sua morte na sexta e sua ressurreição no domingo, e esquecem de abordar o sábado, que talvez tenha sido o pior dia da vida dos discípulos e de todos os que tiveram contato com a vida e o ministério de Jesus. Era um dia pra ser esquecido, definitivamente riscado da história e de suas vidas.
Mas o que eles não sabiam é que quando a desesperança chega ao nível máximo é que a esperança pode nascer. Que é no momento de uma das piores dores que a vida irrompe. Que quando nossas mãos são vencidas pelo peso e nossa força pela realidade é que há espaço para intervenção além da realidade. Que só pela força inescrupulosa da noite escura que o sol quando nasce renova tudo ao seu redor.
Sim, era nesse ponto máximo de desesperança que a esperança era fecundada. Era na escuridão mais forte que a luz rompia os interditos e começava a raiar. Era na agonia aguda da morte que a vida vencia a morte e inaugurava um novo reino de vida, amor e verdade. Era na morte dos sonhos que um novo sonho rompia a rocha do túmulo e despertava a todos, definitivamente, para um novo sonho, uma nova história, novos planos e uma nova realidade para além do que os olhos veem. Na hora em que tudo parecia definitivamente perdido a salvação despontava como a aurora que só é percebida por quem passou a noite escura acordado ou perdeu seu sono em meio a ela por tamanha angústia.
Mas eles não sabiam. Nós não sabemos. Nós nunca sabemos.
Nós nunca sabemos o que acontece nos bastidores. Nós nunca saberemos os movimentos divinos de ressurreição. Nós nunca vemos a vida rompendo os casulos e voando. Em partes porque nessas horas de dor nossos olhos de forma míope se focam na dor e em suas causas e nunca no que ela pode gerar em nós; e segundo porque talvez se precisa chegar ao clímax da dor, ao vale da sombra da morte, pra entender que mais importante do que o hálito da morte e suas infâmias chegando ao ouvido é saber que você não esta sozinho e o vale da morte é a contradição perfeita pra que possamos perceber de forma mais aguda a presença de quem em meio ao vale da morte nos conduz em segurança rumo a pastos verdes e refrigérios. A noite escura é a ocasião ideal para que valorizemos cada raio de sol, luz e esperança que o amanhecer traz quando surge.
Mas apesar de não sabermos algo está sendo realizado. Apesar da esperança já ter definhado há uma ressurreição em curso. Apesar dos novos planos que alinhavamos na mente o plano original está, nesse momento, rompendo com força e poder a rocha do túmulo.
Nós não sabemos. Mas apesar de não sabermos, Aquele que É continua fazendo por nós o que não acreditamos mais a despeito de nossa ignorância. Nós não mais cremos. Mas apesar de não mais crermos o Autor e Consumador da fé crê em nós e nos convida ao raiar do domingo a uma nova fé, uma nova instância, um novo relacionamento, um novo engajamento, uma nova vida.
Ele sempre É e faz apesar de nós. Aleluia!
Você não sabe, mas o amanhã está surgindo. A manhã esta sendo produzida e em breve dará seus primeiros sinais. A morte dará lugar à vida. A desesperança será destituída por uma esperança eterna. Você não sabe, mas amanhã é domingo, dia de vida e ressurreição. Amanhã Ele enxugará dos seus olhos toda a lágrima. Amanhã os caídos serão erguidos, os tristes alegrados, o luto transformado em festa. Amanhã o choro de toda a noite dará lugar à alegria da manhã.
Amanhã… de manhã… há manhã!
Texto de : Thiago Henrique