quinta-feira, 3 de novembro de 2016

MARIAS DE MANARI


A expressão do seu rosto já aponta a vida de luta, marcada pelo tempo,de fé e de esperança de que um dia tudo vai passar, logo logo chega o fim. Maria tem o dom de nos envolver, de nos acolher, sua hospitalidade nos constrange e bastou-lhe abrir a boca, e lá estávamos nós desabando em lagrimas, enxergando a nossa vida fútil ouvindo suas histórias de Maria, diante do que achamos precisar para viver bem. Nossa missão era acolher mais uma Maria, mas nós é quem fomos acolhidos, escolhidos pra entender que Deus não trabalha com lógicas. Foram dias intensos demais, impressionantes demais, com indagações que nos faltavam explicações. Como explicar essa ambiguidade? esse contraste, esse desastre. Maria é o dom, é a cor, é o suor sim, como nos profetizou Naná, e essa estranha mania de ter fé na vida é mesmo coisa de Maria. Em Manari, existem muitas delas, elas estão por todo lado, carregando lenha pra cozinhar a papa de farinha, pra aquecer a casa, matar a fome, pra esquecer os casos de descasos que a vida lhes imputou. Muitas Marias naquele sertão escaldante, abrem um sorriso todos os dias para vida, e dizem - Se Deus querê ele faz chover, se não querê, nós intende que é da vontade dele, mas nós vai continuá acreditando, porque nós veve desse jeito memo. Então as histórias das Marias de Manari são apenas um retalho dessa imensidão de Marias que andam pelos sertões, pelas metrópoles, pelas ruas, e dentro de cada um de nós, Maria não brinca com a vida, ela briga pra sobreviver, até quando Deus quiser.