quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Não verás país como este" de (Olavo Bilac)




















Por Ariovaldo Ramos


"Em parceria com a Ação Educativa, o Ibope informou que 75% dos brasileiros são analfabetos ou semi-analfabetos; oscilam entre não saber ler, ler e não entender e entender pouquíssimo do que leu." Gilberto Dimenstein


Um amigo me enviou os dados mencionados por Dimenstein. Fiquei e ainda estou em estado de choque. Esses dados revelam que o "apartheid", vencido na África do Sul, se instalou por aqui de forma, aparentemente, inexorável, pois, esse é uma quadro irreversível a curto e a médio prazo. Nós não temos uma nação, de fato, nem mesmo um país. O que temos é um estado de espoliação de seres humanos, submetidos a uma situação aquém da escravidão – porque o escravo, pelo menos, sabe de sua condição. A esses brasileiros tem sido negado o direito ao conhecimento e ao reconhecimento, até mesmo de si; estamos, portanto, diante de um crime contra a humanidade.
Esses dados fazem os arautos da teoria da conspiração se encher de razão. Como explicar um dado dessa magnitude? O que houve com nosso sistema educacional? Sim, porque desses aproximadamente 128 milhões de brasileiros, cerca de 104 milhões passaram por algum tipo de escola. E quanto dessa realidade as escolas estão gerando em seus bancos? Lembro-me de ter conversado com um jornalista que, na construção de uma matéria sobre educação fundamental, colocou diante de um menino da quinta série um livro de historia infantil dos mais simples, apenas para, constrangido, assistir ao choro sentido e envergonhado de um pré-adolescente incapaz de ler o que estava diante de si.
Crime, crime, crime... Não há outra afirmação a fazer. Temos de repensar tudo. A começar do que significa caminhar para a justiça social. Se simplesmente redistribui-se a renda sem a correção dessa ignominiosa situação, basta pouco tempo para que a distorção econômica volte a ocorrer. A primeira de todas as socializações necessárias para a superação da miséria é a do conhecimento. Temos de revisitar nossas ênfases; no Brasil, qualquer governo só poderá ser considerado bem sucedido se conseguir reverter esse quadro desesperador. Tanto quanto Fome Zero, necessitamos de Ignorância Zero!
Esses dados falam da sucessão de governos irresponsáveis, para dizer o mínimo, e de uma elite maligna e deletéria. Aliás, não é elite, é conluio de apropriadores indébitos. Tínhamos todos de sair às ruas, tínhamos de cobrar responsabilidades. Todos os nossos políticos tinham de ser cassados. Temos de reinventar o Brasil, se quisermos ver-nos país, e ainda não falamos de nação. Agora sabemos o porque não veremos país como este. É que este não é país nenhum. Atribui-se a Charles De Gaulle a frase: "O Brasil não é um país sério." Ele errou, faltou-lhe uma virgula, a frase deveria ser: "O Brasil não é um país, sério!"
As Igrejas não têm mais o direito a adorar a Deus. As instituições financeiras não têm mais o direito a lucrar como o logram. As indústrias não podem mais produzir o que produzem e como o produzem. As escolas que ensinam não têm mais o direito a ensinar o que ensinam a quem ensinam. O aparato policial não tem mais o direito a prender a quem prendem. As autoridades não têm mais o direito a estar onde estão – não têm mais o direito a governar, a legislar, ou a julgar. Os partidos políticos não têm mais o direito a pedir voto. Continuem calados os intelectuais. A imprensa não tem mais direito à notícia, à opinião ou à liberdade. Nada mais será legítimo, até que todos se comprometam a envidar todos os esforços para sanar essa dívida social que está exterminando um povo. Tiremos os chapéus, todos, o féretro que passa é o nosso.

Ariovaldo Ramos é filósofo e teólogo, além de diretor acadêmico da Faculdade Latino-americana de Teologia Integral, missionário da Sepal e presidente da Visão Mundial. É membro da equipe editorial da Edições Vida Nova.

domingo, 6 de abril de 2008

ISABELA DE BARRO


Acredito que você também esteja procurando respostas para o que aconteceu, o assunto do momento é - quem foi? como foi? porque foi? - Por um lado o esforço da justiça em resolver o caso, do outro , nós espectadores (curiosos) querendo também saber logo qual o desfecho desse "CRIME" acaompanhado tão de perto, da mesma maneira que se acompanha os grandes tramas de uma novela das oito. A questão é: e quando descobrirmos a verdade,o que vai mudar em nós? qual será nossa postura diante do resultado de mais um crime social, dentro de uma família de padrão econômico razoavelmente sustentável. O que de fato nos envolve na questão são os valores de humanidade que carregamos em nossa essência, o que nos faz chorar e clamar por justiça diante do que presenciamos é que ainda existe um folego de esperança para que vejamos o próximo não mais como o "outro" e sim como a extenção de cada um de nós, por isso choramos e sentimos dores como se fosse parte de nós, e de fato é, portanto fica aqui a sugestão de avaliarmos nosso conceito de humanidade, pois querendo ou não estamos interligados diante daquele que tem o domínio, o controle, e a história em suas mãos, nós permaneceremos barro e Ele o Oleiro.

TRAUMA





















“O grande trauma de sermos feridos na alma, está na incerteza do tempo da cura, ainda mais quando se sabe o valor de eternidade que a alma carrega . Quando isso ocorre o tempo nem sempre é um bom remédio, nesse caso ele ( o tempo) pode ser tornar um veneno.

Alex Possati (Reflexão)

BOLSA SEM VALORES

O contraste desse desastre
É a arte da coveniência
Sobrevivência relacionada ao TER
Um passo para o possuir, angariar

O método do ganho é cruel e eficaz
Não existe valor nenhum na questão
Mas existem valores exorbitantes no jogo
Preços de alma e de sonhos prolongados

Nada faz sentido nesse pacote
Nem é permitido chorar em público
A locomotiva da riqueza avança desenfreada
Sem deixar marcas de esperança

Capitalismo cruel e selvagem
Que faz lavagem na alma e no bolço de pobres mortais
Sulgados até o último surpiro rentável
Uma bomba relógio prestes a explodir

Tornaram-se ferramentas da Bolsa
De valores invertidos e fatais
Onde o maior sentido é lucrar
Ainda que morram no final ...

Alex Possati ( Reflexões )

Sonhos Dormidos - Cinelândia
















"Noite de Natal na Cinelândia - RJ"


No chão dorme o sonho envelhecido de velhos e moços
Querendo no tempo e no espaço dividir o trapo de imundícia
Aguardando o socorro que nunca chega
É o descaso frio e cruel dos que ditam as regras no poder
São vidas esmagadas pelo precioso tempo dos pedestres apressados
Que não podem perder tempo com coisas inúteis do abandono
Valores invertidos no sistema retrógrado que criaram para si
Enquanto isso vão cada vez mais se tornando vítimas...
Da fome, do frio, da sede, da opressão, da omissão ...
Desconectados da vida pública
Loucos varridos da velha e agitada noite de um dia singular
Acordar para sobreviver nem sempre é um bom negócio
Portanto resta respirar um ar da esperança
Velho , moço ou criança em busca de um lugar qualquer
Onde possam passar o restinho da vida que sobrou
Transformados em decoração de praças e ruas
Que em algum momento foi chamado de humano ...
Nesse desumano conceito de organização
Que chamamos de sociedade.

Alex Possati ( Reflexão )

Vila João Lopes

Lugar de sonhos adormecidos, anestesiados pelas mazelas do descaso político-social, vítimas da calamidade pública, da rejeição dos ditadores, do poder paralélo ou central...Esperando uma chance para respirar no caos da pobreza e da marginalidade. Alí, cultivamos esperança, lançamos desafios, enfrentamos as dificuldades para arrancar sorrisos dos desdentados, contando com a bravura de "voluntários" do anonimato. Uma comunidade com cheiro de morte, que respira vida, que mesmo ferida não abre mão de encotrar um caminho, um único caminho que os conduza para a libertação do esquecimento generalizado. Visite a Vila João Lopes, quem sabe lá você não consegue se enchergar.
Alex Possati

Socialmente Falando

Socialmente Falando

Ser social não é fazer social
Ser social é ir é vir
É entrar e sair
É ser...
Na hora da dor
Do amor , do pavor
Das coisas que ninguém pode ver
Das que ninguém quer saber
Ser é o que importa
Socialmente portar dentro de si
A vontade de querer e fazer
De mudar o cenário
De pensar o contrário
E contrariar o sitema
Da opressão que multila
A vontade dos desencorajados
Mortos em seu delitos que nunca cometeram