quinta-feira, 25 de setembro de 2008

HOMEM VERSUS HOMEM

Ser homem é carregar vida na morte e morte na vida.

Ser homem é existir preso ao tempo-espaço enquanto se sabe que nossas raízes estão para além das estrelas.

Ser homem é carregar a eternidade em um corpo de morte.

Ser homem é ter a semelhança de Deus em dessemelhança e paradoxo.

Ser homem é desenvolver a consciência entre os espinhos de instintos.

Ser homem é necessitar de amor enquanto não se sabe o que amor é.

Ser homem é gostar de muita coisa que mata.

Ser homem é resistir a muita coisa que salva.

Ser homem é viver dizendo que se ama o que não se abraça e que se odeia o que se carrega.

Ser homem é ser capaz da solidariedade que nem sempre sabe falar de perto.

Ser homem é frequentemente esquecer-se de quem se é enquanto se julga nos outros aquilo que em nós é abundante.

Ser homem é saber de Deus enquanto se existe em fuga.

Ser homem é mentira, é verdade; é vontade, é preguiça; é amor, é capricho; é divino, é diabo; é eterno, é fugaz; é vinho, é vinagre; é fel, é mel, é água, é fogo; é Adão, é João; é Caio — é herdeiro; é lacaio!

Ser Homem verdadeiro é ser o que o homem não é. Por isso ser Homem de verdade é ser em negação de si mesmo para se poder vir a ser para além de nós mesmos!

Pense nisso!


Caio

20/02/08
Lago Norte
Brasília
DF

A bem-aventurança que ainda não alcancei

Por Ricardo Gondin
Meu pai faleceu no dia seis de dezembro de 2005. Em seu funeral, agradeci a Deus por seu maior legado em minha vida: dignidade. Na época do golpe militar de 1964, papai não tergiversou e foi preso. Conduzido para a Base Aérea do Galeão, permaneceu incomunicável durante muitos meses. Sofreu tortura, passou humilhação e mesmo depois de julgado e inocentado, foi expulso das Forças Armadas. Implacavelmente patrulhado pelo regime, meu pai foi um exemplo de firmeza.

Diante dele, percebi que existem algumas virtudes que ainda não alcancei. Reconheço que não me encaixo na bem-aventurança de Mateus 5.10: "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus".

Não posso me incluir nessa promessa porque nunca fiz nenhuma vigília solitária nas calçadas dos hospitais públicos que desprezam o direito do pobre, nunca marchei pelos idosos e nunca corri risco algum por crianças abandonadas; ainda não me amarrei a uma árvore para não permitir que ela seja cortada pela gula da especulação imobiliária; ainda não fiz greve de fome por nenhuma causa.

Não posso reivindicar ser incluído neste versículo do Sermão da Montanha se para mim o tráfico internacional de prostitutas não passa de apenas uma notícia bizarra do noticiário das oito. Ainda não articulei nenhuma passeata contra o avanço da pedofilia. Como posso me considerar bem-aventurado, se analiso o Movimento dos Sem Terra com lentes ideológicas e não percebo em cada um daqueles marchantes maltrapilhos um ser humano carente de dignidade?

Depois que enterrei meu pai, meditei sobre minha vocação e agora atino sobre os porquês de nunca terem me algemado ou perseguido.

Fui institucionalizado. O sistema me engoliu. Por toda minha vida aceitei passivamente que as bandeiras ideológicas fossem arriadas pelo poder do capital. Ingenuamente não escutei quando um pastor chinês me advertiu há mais de vinte anos que nenhuma ideologia, partido político ou sistema religioso consegue resistir ao poder do capital. Assim, de braços cruzados, deixei minha geração capitular diante do consumismo materialista. De uma arquibancada, assisti muitas igrejas se transformarem em balcões de serviços religiosos e muitos pastores virarem mercadejadores da Palavra de Deus. .

Jesus prometeu aos perseguidos por causa da justiça uma grande recompensa nos céus. Mas não posso esperar tal galardão. Minha vocação profética é simbólica, com pouca densidade. Sempre achei mais fácil criticar do que me envolver. Esqueço que o movimento desencadeado por Rosa Parks contra as leis racistas do sul dos Estados Unidos só progrediu porque Martin Luther King não temeu marchar pelas ruas do Alabama. O aparthaid da África do Sul só foi desmantelado porque o bispo anglicano Desmond Tutu resolveu transformar seus sermões em ação política e o metodista Nelson Mandela passou 30 anos na cadeia.

Confesso. Ainda não me vejo digno da felicidade de receber o mesmo galardão dos profetas. Enquanto eles defenderam os órfãos e as viúvas, eu me contentei em pregar uma mensagem desencarnada. Por anos, falei do céu para fugir das injustiças que me rodeavam. Errei, ao prometer salvação como forma de mitigar o sofrimento imposto aos pobres por governos sem prioridades. Falhei, quando não atinei para a advertência de Tiago ( 1.27): "A religião que Deus, nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo".

No sermão do Monte só uma virtude é mencionada duas vezes: justiça. Ela é tão prioritária para Jesus que, só entenderei completamente seu valor quando seguir seus passos rumo ao Calvário.

Vale lembrar do Frei Betto, que também sofreu na ditadura. Enclausurado e sem perspectiva de ser livre, ele notou que seus algozes procuravam humilhá-lo ainda mais. Usando artifícios legais, procuravam mudar sua condição de preso político para um condenado comum. Assim, esse frei católico fez uma greve de fome como forma de resistência. Depois de vários dias sem alimentação, debilitado e perigosamente próximo da morte, seus familiares tentaram dissuadi-lo, pedindo-lhe que voltasse atrás: "Betto pare, nossa maior dádiva é a vida", disseram. "Não jogue ela fora por um detalhe jurídico", insistiram. Resoluto, ele respondeu: "Não, a maior dádiva que recebi de Deus não foi a vida, e sim minha dignidade". A bem-aventurança que gera dignidade nasce do compromisso com a justiça, da disposição de transformar valores em ação, e da inconformação com a covardia.
Sei que ainda tenho muito que aprender e crescer, mas antes de fazer minha última travessia, espero ser incluído nessa felicidade que pertence somente àqueles que podem repetir com Paulo (Atos 20.24): "Todavia, não me importo, nem considero minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou".

Soli Deo Gloria.
Para refletir e agir !

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O mundo está muito estranho ( Caio Fábio )

O mundo está muito estranho. Nunca antes o vi assim. Nem tampouco soube que ele [em estado continuo] tenha entrado em algo semelhante ao que agora de vê.

Entre os homens são bilhões de seres.

Fome, consumo, lixo, sujeira, poluição, pestes, pragas, novas doenças, ar sujo, medo, depressão, pânico, doença mental, desconfiança, hostilidade, desamor, frieza afetiva, falência familiar, perda de referencias e de senso de conveniência; morte da sabedoria e glória da insensatez; desequilíbrio de poderes, controle, manipulação, indução, aldeia global, instantaneidade de tudo; ansiedade sexual, desafeição paterno-materna; corrupção, roubos, arrombamentos, seqüestros, trafico, banditismo legal, política como ação de pirataria, evolução cientifica para o bem e o mal; engenharia genética, clonagem, reprodução com controle genético, tecnologias de manipulação, alienação; religião anestésica, perda da transcendência, ódio de ser, medo do futuro, suicídio, desmaios, angustias, drogas, desagregação, ódio social, homicídios familiares; mentira e mentira, criação virtual de identidades, escuta, espionagem, invasão, vergonha, maldade, perversidade, perversão, normalização do que não é, falsificação, máscara, irrealidade, virtualidade, fantasia, pesadelo, terror, agressão, fuga, atropelamento, evasão, esconderijo, engano, distanciamento da realidade; auto-legislar, instituição do egoísmo, intolerância, fanatismo, divisão, guerra, morte, dor, promessa de vingança, vontade suicida, decisão de aniquilamento como vitória final, apequenamento planetário...

No meio ambiente vai faltar ar e água. O frio mudará de endereços, bem como o calor, as estações, as previsões. As criaturas morrerão cada vez mais; espécies inteiras morrerão, pois, se terá tudo o mais: sujeira, emissões de morte na natureza, ação predatória baseada no imediato. Os mares sobrarão, os degelos gerarão dilúvios e tsunamis, etc. A Terra se inviabilizará.

No que seja experiência normal na Terra, haverá crescente introdução de coisas espantosas, como o rugido do mar e das ondas, luzes de estranhos objetos, aparições supostamente alienígenas, expectação do imprevisível; sem falar que novas dimensões estão sendo lentamente tocadas e penetradas, e, por tal invasão humana em outras dimensões poder-se-á ver o abrir de portas assustadoras; e, assim, tornarmos nossas ficções em nossas próprias realidades aterradoras.

Do ponto de vista espiritual e religioso o que se tem é a preparação de um caminho para um Messias, ou Cristo, ou Buda, ou Santo Líder; pois, até mesmo se busca criar um novo Jesus, nascido não da descendência de Davi, mas sim da de Madalena com Jesus; enquanto se vê uma crescente busca pelo novo representante da divindade para esta nova e nascente Era do Morrer Civilizatório. Daí essa busca por evangelhos apócrifos, que permitam a criação de um novo Jesus, e que tem como seu apostolo mais fiel, Judas, o Iscariotes. Um Jesus sem coluna vertebral. Um Jesus sem forma e vazio. Um Jesus recipiente de tudo e de qualquer coisa. Um Jesus que não é o modelo, mas, ao contrario, modelado. Isto enquanto os Islâmicos querem ser os senhores de todos os homens em toda a terra. O que daí advirá será o caos.

Por isto, cada vez mais, quero investir em meus filhos e netos, pois, o melhor legado que posso deixar, além de quem sou, digo, escrevo, penso, falo, prego e anuncio, é o que a eles ensino, na esperança de que sejam preparados para os tempos ainda adiante de nós.

“Insensatos! Sabeis discernir os tempos, os ventos, as nuvens, e os outros sinais naturais, e, não sabeis discernir os sinais desta geração?” — é o que indaga Jesus.

Para quem leva isto a sério, Jesus diz:

Vigie. Fique atento. Não durma. Guarde suas luz, seu azeite. Faça o bem. Não maltrate a ninguém. Aumente seu talento. Ajude. Socorra a todos os que puder. Veja-me em cada ser humano, mas não se deixe enganar. Não siga a ninguém. O Filho do Homem não estará no interior de nenhuma casa. Ele aparecerá nos céus. Não haverá dúvidas. Por isto, mantenha os olhos fitos nas coisas dos céus. Não tema a perseguição. Pregue em todas as nações. Não se assuste com o esfriamento do amor e a proliferação da iniqüidade. Não tema. Eu venci o mundo, e ninguém arrebatará você de minha mão. Pois, estou com você até o seu ultimo dia. Mas saiba: é na sua perseverança que você salvará a sua alma para o que é eterno.

Você crê?

Nele,

Caio

Quatro de setembro de 2008
Pendotiba
Niterói
RJ