EM MEU DESERTO
Em meu deserto, o desertor sou eu. Quem busca saciar-me é abstrato, é miragem de oásis, posto que, no meu deserto, o certo é também incerto, diante da sequidão das palavras, das consciências, das metáforas. Aprende-se, depende-se, aferra-se à fé, à esperança, à ânsia por sobrevivência. Em meu deserto, o perto fica longe. A distância entre a angústia e a solitude... Diversifico meus sonhos, minhas saudades e minhas aflições; às vezes, jubiloso, às vezes, saudoso. Em meu deserto, eu faço minha prece, meu canto, minha oração. Em meu deserto, me vejo quando te vejo. [a.p]