sábado, 22 de janeiro de 2011

Aprendizes do Caos

Foto: A.P.

A calamidade de fato se torna para mim cada vez mais uma forma de se extrair lições que ficarão empregnadas para sempre. Nessas idas e vindas foram se formando idéias e sensações que advem exatamente dessa necessidade de buscar respostas lógicas oude se querer fazer ou compreender o que, e para que se está fazendo algo. Não vou negar que as lições servirão exatamente para serem aplicadas não só na sua mais pura e integra percepção e ação, mas também no que fica inserido como conhecimento e sentimento de causa.

No ir e vir foram muitos exemplos, muitas lições de solidariedade e humanidade jamais presenciados por quem está de fato envolvido com a missão, o próximo se tornou tão próximo que não precisa mais de formalidades pífias, a beleza da desgraça fez nascer e ebolir sentimentos que só os humanos podem compartilhar. A lágrima chorada é abafada pela compaixão, a conscientização da dor mesmo que intensa, vai sendo anestesiada conforme os dias vão passando e a força humana reage a tudo como quem busca driblar sutilmente a famigerada sensação de impotencia.

De um lado para o outro a busca é pela superação, é claro que o pós-tragédia aos poucos vai sendo a evasão sutíl da mídia, quando os nossos olhos não mais estarão postos diante da TV, e nessas horas, onde essa minuciosa maldade chamada esquecimeto precoce se alojar em nós, iremos relutar ao menos aos aprendizados que emanam da fragilidade de nossas mentes, e do que ficou registrado em nossas memórias para sempre como aprendizes do caos.


2 comentários:

Helena de Campos disse...

Mais uma tatuagem, só que na alma. Nunca esquecerei do gatilho de uma missão adormecida há muito tempo...

Sergio Martins disse...

É mano, lições que só a desgraça nos ensina... Infelizmente, "para se construir, derrubam-se casas", no entanto, é no cair de nossas casas que renascem as árvores. Sinceramente, pra mim o caos maior é a tragédia por trás da tragédia, a exploração das mídias, da fé dos menos cultos por parte da religião, dos pobres por parte dos políticos, o assistencialismo do terceiro setor vinculado com tais poderes... Quanto a ti, mano, é uma pena que de momento, eu não possa estar geografica e fisicamente junto em tais causas. Paz!