domingo, 8 de maio de 2011

Sujos (In) Mundos


Foto: A.P. / noite de sábado, 07 de maio - Lixão de Gramacho - Caxias - RJ


- É sopa tio?!

- O pão eu não peguei ainda...

- Tem guaraná?

- Quero mais um.

- Me dá um abraço?

- Posso pegar uma maçã?

- Tem mais banana?

- Tem brinquedo pra mim?

- Eu já peguei, não posso mentir!

- Posso levar um pra minha irmã?

- Minha mãe tá vindo aí!

- Já vão embora?

- Obrigado tio!

- Valeu hen!



Um comentário:

sidnei oliva disse...

Todas as formas de vida até hoje encontradas, não contemplam a antivida social formal e invisível do submundo urbano e caótico de um aterro sanitário. As fezes sociais alimentam seres huma-nus, partes do húmus, do xorume, do butano, da algazarra formal de um espaço fúnebre e fétido. Não, nenhum deles precisa de nós, é o meu e o teu lixo que eles desejam. Aplaca-se a culpa de sermos limpos, quando um sorriso infantil nos acalenta. Crescemos em graça e misericórdia, em unidade diversa e conflitante. Somos porque fomos e em irmos, conhecemos nossas limitações e nossa dependência daquele que envia. A gente somos inútil...mas me orgulho de fazer parte desse bando. paZ!