terça-feira, 10 de junho de 2008

A Falência da Simplicidade

Esses dias, parei para pensar no que significa a simplicidade na prática, justamente pelo fato de essa palavra muitas vezes estar nos nossos lábios, porém sem fazer parte de nosso comportamento.
Vivemos em um período em que, se formos admitir, a simplicidade não está muito na moda, e isso serve para qualquer área de nossa vida. Ser simples hoje é ser ultrapassado. Não é legal ser simples, nada que possuímos pode ser simples, não existe espaço para a simplicidade; se você for comprar algo, seja um tênis novo, uma televisão nova, ou um celular, não pode ser o mais o simples.
No caso do tênis, tem que ser o mais caro e moderno, a TV, só se for de tela plana e de plasma, e o que dizer do celular? Esse talvez seja o campeão da sofisticação e um dos grandes responsáveis pela falência da simplicidade na área do consumo, deixando até de exercer como função principal aquilo para que foi originalmente criado: receber e fazer ligações; e por aí vai.
Somos bombardeados diariamente pelo excesso de sofisticação, e olha que não estou falando só de consumo... em nosso comportamento a simplicidade também vai perdendo seu espaço. Veja, por exemplo, nossos templos para “culto”: eles agora precisam ser os melhores, não servem mais se não tiverem ar condicionado, poltronas estofadas, e o tão ambicionado “datashow”.
Partindo para o campo do relacionamento humano, o que posso dizer? Bem, se formos honestos, somos a cada dia seduzidos pela popularidade, hoje em tempos de ORKUT e MSN, vale o números de “amigos” que você tem na sua lista, e tem que ter uma estrelinha de fã para que as pessoas vejam que você é querido por “muitos”, e se você ainda não tem essa estrelinha, trate de providenciá-la para ser aceito, antes que se torne um amigo simples.
Quando olhamos para os evangelhos e seu ensinamentos, somos confrontados com a simplicidade que eles nos ensinam. Temos que admitir que não é possível enxergar um Cristo readaptado para o pós-moderno, por isso o evangelho não se enquadra ao conceito de sofisticação e modernidade que é imposto pelo sistema, seja na área do consumo ou do comportamento humano. Jesus o tempo inteiro nos ensina a sermos simples, e vivermos com simplicidade, o que não é sinônimo de pobreza, mas de carregar dentro de si a essência da humildade e amor ao Deus que é simples.. Por isso, devemos ter sempre em mente um ditado que diz: “Muitas vezes, menos é mais.”

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